quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Festival Sociocultural Outros Nativos - Parte 1

Neste vídeo, que publiquei no meu canal no Youtube, eu apresento o projeto Outros Nativos. Outros vídeos virão. Um dos primeiros movimentos que encontrei é a Batalha do Elevado, que surgiu pela mobilização da comunidade depois da extinção da Batalha da Dorothy Stang. Um dos objetivos recentes do projeto é apoiar e conseguir mais estrutura para a Batalha do Elevado. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Menos uma batalha no elevado


Há um mês iniciei o trabalho do projeto Festival Outros Nativos, desdobramento da minha atuação como empreendedor social no bairro da Sacramenta. Este é um relato de um dia típico com outros empreendedores sociais do bairro


Sexta-feira, 15 de fevereiro. Cheguei com Samuel e Saul, irmão que fazem a Batalha do Elevado na Praça Dorothy Stang. Mal estacionei o carro e nos deparamos com a cena: cerca de 15 pessoas com as mãos na cabeça e pernas abertas no meio do anfiteatro enquanto cinco guardas da Rondac (tropa de elite da Guarda Municipal) de metralhadoras, motos, capacetes e mascaras na cara. Muk (Samuel) fica logo indignado: “Olha, esses caras!! O que estão fazendo!?”. 
Lembrei do depoimento do dia anterior de Fartura Baby para a matéria que estou fazendo sobre a Batalha do Elevado: “ A Polícia tem que parar de atuar maleficamente no movimento e atuar positivamente”. Digo pra Muka ficar na dele e desembarcar as coisas do celtinha enquanto eu me dirijo aos guardas municipais com minha pele clara, minha barba grisalha e minha camiseta preta dos Sex Pistols escrito “Pretty Vacant”.  Faço fotos enquanto me dirijo por trás da arquibancada do anfiteatro onde um dos guardas dá cobertura, de metralhadora na mão. 
Ele me cumprimenta enquanto eu subo o grande degrau da arquibancada e me pergunta se tem algum parente meu ali entre os revistados. Eu digo que não e tento explicar que vou desenvolver um projeto social ali com apoio da Prefeitura. Ele entende que eu sou servidor público. Eu explico minha condição de morador do bairro. Ele se justifica diz que é um procedimento normal e que são pessoas de bem (os revistados). Mostra um grupo de crianças que estão a seu lado direito. Ele as tirou do grupo de pessoas que estão revistando porque sentiram um cheio forte de maconha. E disse que, nesses casos, o Estado só atua quando a situação foge ao controle. 
Pergunto por que não existe policiamento constante como nas praças do centro da cidade e uso talvez erroneamente a expressão “policiamento ostensivo”. Ele ponta os colegas na revista e diz: está aí!. E disse que mais cedo tinha acontecido a mesma coisa no Horto Municipal (Centro da cidade). O papo se encerra gentilmente. Desejo boa tarde e bom trabalho. Eles terminam revista e vão embora pelo meio da praça passando por cima da grama mal aparada. A gente prepara o equipamento para a batalha do rap. É só mais um baculejo na quebrada. Dessa vez não teve assalto, prisão nem morte. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Tributo a Renato Russo com bandas autorais de Belém




John Pilonche, Superself, O Cosmo e Nicobates e os Amadores vão tocar músicas próprias e covers da Legião Urbana. Final vai ter uma jam session 

O Decibéis Pub realiza nesta quinta-feira, 11, véspera do Feriado de Nossa Senhora de Aparecida, seu primeiro Tributo a Renato Russo. O show conta com a participação das bandas John Pilonche, Superself, O Cosmo e Nicobates e os Amadores, que vão tocar músicas autorais e versões de músicas da Legião Urbana e de Renato. A data marca o 22º aniversário de morte do vocalista e fundador da Legião Urbana.  
“Em 20 anos como músico e compositor é a primeira vez que participo de um tributo a Renato Russo e Legião Urbana. Já assisti um bocado como ouvinte. Confesso que estou ansioso, e para mim, que sou um legionário assumido, vai ser emocionante. Entre os músicos da banda John Pilonche e o Universo Imprevisível, estarão tocando comigo meus dois filhos ao lado de mais dois amigos. E fazer esse lance ao lado deles vai ser o máximo”, celebra Madilson Pilonche, proprietário do pub e líder da banda.
Para Rael Andrade, vocalista e compositor da banda Superself, que lançou recentemente o single “Comprimido de Amor”, é praticamente impossível ficar imune às letras da Legião Urbana. “A reverberação dessas canções, até hoje, mostra a sua longevidade. É como se pudéssemos ver e ouvir Renato Russo aqui agora vivinho da silva. E certamente se ele estivesse aqui estaria opinando sobre a preocupante fase que a nossa jovem democracia atravessa”, conta.  
Já para Brancoso Aflolo, da banda O Cosmo, que lançou recentemente o EP “Origens”, a Legião Urbana é um exemplo claro de como um artista tem e precisa ser verdadeiro e sincero com o seu público. “Meu disco preferido é o Dois, que fez muito sucesso na época e catapultou definitivamente a banda no cenário nacional. O resto todo mundo já sabe. As letras paracem que foram escritas em 2018. Vai ser muito bom poder compartilhar com os amigos esse momento, tanto das bandas participantes quanto os fãs da Legião”, disse Brancoso. 
Pelo formato do tributo, cada banda toca três músicas autorais e três músicas de Renato Russo e Legião Urbana. “É um formato diferente porque é um tributo de bandas que celebram não somente o cover ou as versões, mas o significado dessas canções. São compositores e artistas que são influenciados por sentimentos semelhantes ao de Renato, sentimentos de indignação, mas também de amor e solidariedade. Muito a ver com o momento que vivemos”, explica Nicobates, da Nicobates e Os Amadores, que também está com o EP “Rock da Martinha” nas redes.

SERVIÇO:
Tributo a Renato Russo
Com as bandas John Pilonche, Superself, O Cosmo e Nicobates e os Amadores.
Local: Decibéis Pub (Conj. Bela Vista / Marex – Rua Florianópolis, 2112 – Val de Cães).
Ingressos: R$ 5
Informações: (91) 99288 6798

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Lançamento do CD "Adorai" de Sandro Santarém


MÚSICA GOSPEL
Cantor e compositor Sandro Santarém lança primeiro álbum católico em Belém

“Adorai” é um CD com arranjos pop modernos inspirados em grandes nomes da música católica e pretende colocar o Pará entre os produtores desse segmento artístico no Brasil



Ainda na adolescência Sandro Santarém iniciou sua trajetória na Paróquia de Nossa Senhora das Graças, em Ananindeua (PA). Lá ele descobriu a oração e a música ligadas ao movimento da Renovação Carismática Católica, e desde então sua vida tem estado ligada a esses dois elementos: música e oração. Depois de participar do coral da igreja, ele recebeu incentivos e foi estudar música no Centro de Cultura e Formação Cristã (CCFC), Região Metropolitana de Belém.
Hoje graduado em música pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Sandro se divide entra a atividade como professor de música em igrejas de Belém, o treinamento vocal de artistas paraenses e o trabalho autoral com a música cristã. “O ápice da minha carreira é, para mim, o lançamento deste disco. Nele eu coloquei tudo que aprendi em um projeto cheio de inspiração divina”, conta o cantor e compositor.
“Adorai” começou a ser composto em 2015. Segundo Sandro, sob a direção do Espírito Santo as orações começaram a surgir em forma de música. Ele então decidiu registrar as canções de forma caseira para uso em sua igreja. A missão tornou-se então um grande projeto de álbum que culminou com o CD a ser lançado agora. A experiência na música popular, ajudou a consolidar o projeto, pois Sandro Santarém já produziu e dirigiu espetáculos de Dayse Addario, Nanna Reis e Zarabatana Jazz Band, renomados artistas paraenses. “Como produtor e preparador vocal, atuo na música profissional de Belém há 10 anos, produzindo CD’s, shows e DVD’s”, conta.
            O cantor passou maior parte de sua vida cantando em grupos de oração e grupos missionários. O destaque é para o grupo Servos Missionários da Divina Providência, onde ele passou maior parte de sua adolescência, ministrando nos louvores e pregando o Evangelho. Atualmente, o cantor faz parte do ministério de música da paróquia São Pio X em Ananindeua e da comunidade católica Shalom.
            O álbum “Adorai” foi masterizado nos EUA por Brendan Duffey e traz ao público católico dez faixas de autoria do cantor, com arranjos e produção de Rodrigo Ferreira. São lindas e inspiradas canções de louvor e adoração a Deus, com instrumentação pop inspirada em bandas e artistas estrangeiros como Gateway Worship, Hillsong, Frei Rob Galea Ministry e The City Harmônic, além do brasileiro Tony Allysson e a banda paraense Prostrados.
“Com linguagem atual e arranjos modernos, o álbum tem como público-alvo todas as pessoas que creem em Deus, independente de religião. Na verdade, qualquer pessoa pode ouvir as canções pela sua composição lírica, mas são canções ligadas à religiosidade”, explica Sandro. 
            A beleza das canções e a técnica da interpretação de Sandro têm chamado a atenção de artistas e produtores. A cantora Nanna Reis gravou “Em tua presença” com Sandro e participará do show, assim como Judson Brito, da banda Prostrados, que gravou as flautas de “Todo Poderoso” e interpretará a canção “Pródigo”, de sua autoria, uma das duas únicas que estão no show e não fazem parte do repertório do álbum. “A outra música do show que não está no disco é “Toda Terra (The Whole Earth)”, uma versão do ministério americano Gateway Worship, canção que pretendo gravar um dia”, diz Sandro.
Como produtor e cantor, Sandro acredita no potencial dos servos e ministros de música de Belém, e que o Espirito Santo há anos vem abençoando esse estado com compositores e verdadeiros guerreiros da música em nossa Igreja. Um dos objetivos deste CD é fomentar a música católica no Pará e motivar outros cantores e bandas a lançarem seus trabalhos e obedecerem a missão de evangelizar na igreja contemporânea.
Muitas parcerias foram estabelecidas para a produção deste projeto, uma delas foi com o Quartel Design empresa renomada por criar a identidade visual de muitos artistas do seguimento gospel, e o Pulsar Studio, estúdio de som de grande qualidade técnica de Belém. O projeto também contou com profissionais de fotografia e vídeo como as fotografas Tereza e Aryanne e o filmaker Felipe Negidio. O show terá ainda projeções do VJ João Sabbah, e apoio da Doceria Amorosa, CD Music e de Ana Caraveo (make up). 

SERVIÇO:
Show de Lançamento do CD “Adorai”, de Sandro Santarém
Dia 19 de Setembro de 2018 – Às 20h
Local: Teatro Margarida Schivasappa – Centur
Ingressos: R$ 20 (R$ 10 meia entrada) – Comunidade Shalom (São Brás e Cidade Nova) e Paróquia Santo Antônio de Pádua (Mário Covas).
Informações: (91)  981687474

FICHA TÉCNICA
PRODUÇÃO:
PRODUÇÃO GERAL – SANDRO SANTARÉM
PRODUTOR TÉCNICO – NICOLAU  ALVES
DIREÇÃO ARTÍSTICA – CIBELLE JEMIMA
DIEREÇÃO MULTIMÍDIA – FELIPE NEGIDIO
ASSESSORIA DE IMPRENSA – ELIELTON AMADOR
SOM – JEREMIAS DE LIMA
ROADIE – NEMIAS MENEZES
VIDEO MAPPING – VJ JOÃO SABBAH
ARRANJOS BANDA- RODRIGO FERREIRA
ARRANJOS BACKINGS – ADRIANO CRUZ
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO – ANA LÚCIA PEIXOTO
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO - CÉLIA  ALVES
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO – SARA LIMA
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO – CAMILA CASTRO
MAKE UP- ANA CARAVEO

MUSICOS:
SANDRO SANTARÉM - VOZ
RODRIGO FERREIRA –TECLADO
TIAGO BELÉM –BATERIA
LUAN LACERDA – CONTRABAIXO
TIAGO VIANA – GUITARRA
FILIPE PAIXÃO – GUITARRA
DIEGO OLIVEIRA – VIOLÃO

BACKING VOCAL:
JONAS MACEDO
ADRIANO CRUZ
TIAGO SODRÉ
JUDITE NASCIMENTO

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

NANNA REIS: VOZ
BANDA PROSTRADOS
MONICKY ROMANHOLI: VIOLINO
JUDSON BRITO: FLAUTA  E VOZ

APOIO:
PULSAR STUDIO
DOCERIA AMOROSA
CD MUSIC


quarta-feira, 4 de julho de 2018

O revival da sociabilidade pela música



Publico a íntegra do release do lançamento de Rock da Martinha, primeiro single/EP oficial do meu primeiro álbum. 

Foto de Marco André Moraes e o Eloi avisando que é dia 5 o show


Um encontro de duas gerações em defesa da arte e da tolerância. Assim podem ser definidos o lançamento e show em torno da regravação da música “Rock da Martinha”, de Eloi Iglesias, pelo compositor e guitarrista Nicolau Bates, o Nicobates (ex-integrante da banda Norman Bates). O EP Rock da Martinha sai pelo selo Na Music e terá show de lançamento com a participação do autor da canção no dia 5 de julho no Núcleo de Conexão Ná Figueredo.
Composta por Eloi e os irmãos Cláudio e Cássio Lobato, que faziam parte do movimento Liberô Geral, a música foi lançada em 1987, no LP com o mesmo nome do movimento. “Todo mundo em Belém e também fora da cidade conhece ao menos uma música desse disco, que é ‘Pecados de Adão’, sem dúvida o maior sucesso de Eloi. Mas Rock da Martinha também é uma canção importante porque repercutiu muito, foi proibida de ser executada publicamente pela censura e era uma crônica de um momento histórico, social e cultural de Belém”, explica Nicobates.
O ex-guitarrista, que virou cantor de rock há três anos quando decidiu gravar suas próprias canções após a saída da Norman Bates, conta que ouvia Rock da Martinha aos 11 anos de idade e cantava todos os nomes da canção com entusiasmo sem nem sequer saber do que se tratava. “Eloi me contou que a canção foi baseada em uma matéria jornalística, que  denunciara os traficantes de maconha de Belém e que a ‘Martinha’ era, na verdade, uma corruptela de Matinha, o bairro onde o tráfico era mais forte”, conta o cantor, que também é jornalista de formação.
Sem a intenção de fazer qualquer tipo de apologia, a gravação acabou suscitando a reflexão sobre o consumo da maconha. Quando se encontraram para gravar uma entrevista sobre o lançamento do EP, Eloi explicou a natureza da canção. “Essa música surgiu na banda Grupo de Risco, que fazia parte de um movimento pornográfico artístico, no momento em que todas as regiões do Brasil tinham suas manifestações artísticas, como a tropicália, a galera do Ceará e o Clube da Esquina, nós tínhamos a Equatoriália e o Liberô Geral. E esse movimento tinha como intenção mexer com a cabeça das pessoas, fazê-las pensar, porque esse é também o papel da arte. Era a arte em defesa da própria arte, uma arte libertária”, conta o próprio Eloi.
“Baseado no que o Eloi conta, aquela era uma época em que tudo era mais romântico e a violência não era tão forte quanto hoje. Por isso, acredito que a música é mais atual do que nunca ao ser posta exatamente numa retrospectiva. Não apenas de revival da arte ou do gênero musical, mas um revival da sociabilidade. A canção é um registro de um tempo mas de forma nenhuma ela é datada. Ela nos mostra que houve um tempo diferente. Um tempo de uma sociabilidade que mudou também pela postura repressora no combate ao consumo da maconha. Tá mais do que na hora de voltar a discutir o assunto”, pontua Nicobates.
Rock da Martinha sai nas plataformas de stremming de música ao lado de “Voo do Pensamento”, composição de Nicobates que tem a participação de Flávia Aquino e Antonio Novaes (A Euterpia). A arte da capa, baseada em histórias em quadrinhos e na estética rockabilly, foi feita pelo ilustrador paraense Paulo Victor Magno. O show conta na formação de Os Amadores, banda “flutuante” que vai ter na formação dois bateristas e dois baixistas se revezando entre os momentos mais dançantes e mais pesados do show. A formação completa inclui Carol Endres, Ana Paula e Iza Vedo (backing vocals), Charles Andi (guitarra), Moriel Prado (contrabaixo), Dan Ferreira (contrabaixo), Wagner Nugoli (bateria) e Marco André (bateria).
Além de cantar Rock da Martinha com Nicobates, Eloi Iglesias deve cantar seu maior sucesso e uma música inédita de seu repertório. O setlist da banda inclui ainda as músicas do álbum cheio que deve sair no final do ano e algumas releituras de Caetano Veloso e Elvis Presley, além do brega pop anos 1980.

SERVIÇO:
Rock da Martinha – Com Nicobates e Os Amadores e participação de Eloi Iglesias
Local: Núcleo de Conexões Ná Figueredo (Pub) – Av. Gentil Bittencourt, 449
Dia 5 de Julho – Quinta-feira - A partir das 20h30
Ingressos: R$ 10 (valor de meia entrada)
Informações e entrevistas: (91) 98168 7474

terça-feira, 10 de abril de 2018

Factoides x Fake News: o plot point da campanha



Nunca na história deste País, quiçá do mundo, se discutiu tanto a Comunicação como agora. Da espetacularização da prisão do ex-presidente Lula às Fake News que ajudaram a eleger Donald Trump, passando por factoides, brigas em tv ao vivo envolvendo até Sindicato de Jornalistas e pedidos de desculpas de Mark Zurckerbeg no Congresso Americano, tudo parece trespassar (sim, “trespassar”, como uma lança!) esta ciência tão nova, tão sofisticada e tão banalizada. Daqui a pouco, a gente estará discutindo comunicação como o brasileiro discute futebol. Ou seja, no nível mais rasteiro possível. Alguém tem culpa por isso? Talvez. Mas esse não é o tema desse texto. 

Ciro Gomes e o abestado político que se julga o inteligente do MBL 


Uma ex-professora de jornalismo que me iniciou nos meus dois primeiros estágios disse essa semana em seu perfil que doutores, mestres, alunos e profissionais de comunicação deveriam prestar atenção em Lula. “Quando ele pega o microfone e fala todas as atenções se viram para ele”, ela disse. Como se isso desse alguma qualificação especial a Lula. Ora, apenas este era o fato mais importante do momento em toda a nação. Todos olharíamos como pedestres param para olhar um acidente que ocorresse no mesmo quarteirão.

Lula entende tanto de comunicação como eu entendo de futebol. Ou seja, a gente está mais ou menos no mesmo nível em ambas as disciplinas. E eu nem sou doutor. Mas quem é doutor como a minha ex-professora e é petista deveria pagar um dízimo extra ao partido por deixar a Globo conduzir Lula exatamente ao ponto que ela queria. Sem que ele não tivesse outra alternativa a não ser se refugiar em seu berço político sindical para simular uma grande comoção de seu séquito pela sua ordem de prisão. 

O povo, professora, lhe digo, lamentou mas deu de ombros. Porque nessa hora a Globo colocou um monte de pessoas pobres contando as suas histórias para o Luciano Huck em rede nacional. Histórias tão mais sofridas que a do Lula. Como a de uma moça que foi estuprada quando criança e enfrentou todo tipo de adversidade para superar o trauma. Eu estava vendo o discurso dele ao celular e estava zapeando pelos canais para ver a cobertura das TV's.  

Mas este texto não está sendo escrito para penitenciar meus amigos e professores petistas. Não por isso. Dou ênfase ao fato político mais importante da História recente do país para mostrar como essa comunicação, tão popular e tão banal, vai do mais sofisticado ao mais reles em questão de horas. E vou me concentrar no espectro político do Brasil hoje.

Tão logo a aguardada, celebrada, lamentada e de toda forma explorada prisão de Lula esfriou nos noticiários, um factoide invadiu a cena da sucessão presidencial no Brasil. E, olhe, que tanto se falou em fake news que um factoide acabou roubando a cena. Um velho e já quase esquecido conceito retornou sem que ninguém, a não ser é claro (é preciso dar o crédito, distante da minha vaidade pessoal) a este blogueiro de ocasião.  

Neste ponto preciso esclarecer a massa que se julga muito conhecedora hoje em dia dos termos sobre a diferença. Sim, porque certamente há quem dirá que fake news é o velho factoide e que tudo não passa da mesma coisa com nomes diferentes. Pois “menas verdade”, como diria o sábio caboclo paraense.

Fake news é tão somente aquilo que uma tradução literal denunciaria: uma notícia falsa, disseminada nas redes sociais sem checagem que promove distúrbios de cognição nos acéfalos da comunicação digital.

O factoide é um termo muito mais sofisticado, cunhado pelo escritor americano e também jornalista  Norman Mailer em sua biografia de  Marilyn Monroe. Portanto, os factoides podem estar, assim com as fake News, ligadas às celebridades. Ocorre, no entanto, que os factoides são fatos cotidianos que não têm absolutamente nenhuma relevância (como fatos jornalísticos) até serem explorados exaustivamente pela mídia de forma inescrupulosa.

Um factoide, diferentemente de uma fake new, aconteceu. Mas sua abordagem nada tem a ver com sua relevância e seu efeito é quase o mesmo das fake news: causar distúrbios cognitivos em abestados digitais. Porém, dado o fato de que aconteceram, eles acabam por enganar abestados um pouco mais evoluídos. Gente que se julga mais inteligente que a média da massa acéfala das redes sociais.

Desculpem o palavreado! Minha querida e idosa mãe vive me repreendendo pelo modo como falo, mas resolvi escrever como falo por consideração às declarações de Umberto Eco em seu leito de morte. Precisamos falar a linguagem da ralé para se fazer entender. E, de repente, trazer os imbecis a outro nível de comunicação. Sim! Porque Eco tinha razão, a internet amplifica as suas vozes e isso não vai mudar. Não adianta censurá-los! Ou a gente os educa, ou seremos sacrificados por eles. (Outra hora conto a minha teoria sobre o palavrão na comunicação fenomenal)

Mas, chega de enrolação, tio, vamos aos fatos. Ou melhor, ao factoide.

O factoide foi o safanão que o presidenciável Ciro Gomes deu no idiota blogueiro financiado pelo MBL (nem lembro o nome) que tentou aplicar uma pegadinha no cearense arretado.

O próprio Ciro, um abestado digital segundo as regras da geração milenium, atendeu ao chamado do blogueiro achando que teria mais uma oportunidade de mostrar sua lábia experimentada de outras campanhas em um momento promissor em que supostamente a saída de cena de Lula lhe favoreceria.  

Penso que Ciro se empolga fácil e acredita mesmo que pode vencer essa campanha. Pode. Como podia em 2002. Mas ele precisa melhorar muito ainda para não perder de novo para si mesmo. É ingenuidade achar que sua consciência econômica e seu conhecimento e experiência seriam o suficiente para aproveitar uma conjuntura supostamente favorável. A conjuntura muda muito rápido, Ciro. E você precisa estar um passo a frente, como o MBL estava.

Mal Lula esquentou o colchão da cela especial (“uma espécie de sala de Estado Maior”) em Curitiba e o movimento capitaneado por Kim Kataguiri já estava mirando na bola da vez: Ciro. Sim, porque não é Manuela D’ávila e nem Guilherme Boulos que tem chances reais de crescer com a saída de Lula de cena. Esse cara é o Ciro. E, devo logo dizer, Ciro é meu candidato desde já e até que surja coisa melhor. Não tem “insencionismo”, não. E não tem carta em branca também, não. O papo é reto.

Mas, voltando ao factoide. Tão logo o idiota do MBL fizesse a primeira pergunta, Ciro percebeu a armadilha: “Você é um bolsominion?”, disse. A cena é hilariante. “Não, eu sou um liberal”, diz o abestado. A primeira pergunta foi sobre o “sequestro de Lula”. Ciro disse em uma entrevista que se impusessem uma prisão arbitrária contra Lula ele iria sequestrar o Lula para impedir uma injustiça. Contra todas as piores expectativas, a prisão de Lula foi decretada da forma mais arbitrária possível. Mas Ciro não estava lá sequer no caminhão da missa de Dona Marisa. Quem estava lá eram Boulous e Manuela. Nem Haddad apareceu muito. Ficou claro que o PT rifou quem iria ter a luz do poste de Lula, como disse o Paulo Henrique Amorim.

Talvez Ciro tenha usado essa força de expressão para capitalizar eleitores do Lula. Afinal, ele pode ser coerente, pode até ser honesto e abestado, mas se julga inteligente. Cabra arretado. Estrategista eleitoral. Tsc tsc.

Talvez Ciro seja apenas um cara coerente e pouco hipócrita, como a dita direita liberal jura não ser. Mas é. E esse abestado do MBL é a prova cabal disso (e eu vou chegar lá). Ciro também disse que receberia a turma do Moro a bala. Foi uma ênfase maior. Uma forma de expressão. Ele se comunica desse jeito. Afirmou isso porque sabe e aposta todas as fichas nisso, que jamais seria preso por corrupção. Isso é o que ele afirma e diz provar: ser honesto. “Nada mais do que minha obrigação”, é quase um bordão em sua boca.

Esse tipo de comunicação, assim como a comunicação truncada de Lula  e de Dilma, exige altruísmo e alteridade para ser entendida. Tudo o que não há na comunicação maliciosa do MBL. Por muito menos Márcia Tiburi deixou o estúdio, fugindo ao debate com Kataguiri. É incrível como esse povo da esquerda cai nessas armadilhas ingênuas. Coisa de crianças inteligentes, sim. Mas mimadas e irresponsáveis. 

Ciro é esquentado. Todos sabem. Qualquer pessoa minimamente coerente perde a cabeça com esse Brasil ridículo de hoje. Com essas instituições falidas e essa hipocrisia generalizada. Mas o abestado moralista arma factoides e armadilhas discursivas banais, para alguém que, de boa fé, lhe deu atenção. Quando percebe a armadilha em que caiu, Ciro sai fora e dá um tapinha na nunca do abestado, que, muito bem preparado para a sua presepada, não perde a chance e saca: “Hey, você pensa que eu sou a Patrícia Pilar para você me bater!”.

Fosse aqui na rua de casa e ele pegaria era uma facada. Ou um tiro mesmo. Na Sacramenta é foda, mano.

Estimulada pelo episódio, uma colega mestrA em Comunicação, formada e residente do Sul Maravilha do Brasil Varonil, dita liberal,  disse que Ciro era, entre outras coisas, um “machistoide”. Hehehe.

Tipo assim, baby, se considerarmos a mesma premissa do “factoide”, o “machistoide” é um “machista irrelevante”, um machista que parece, mas não é. O que seria isso? Um machista que não incorre em risco maior às mulheres? Considerando a postura “feminazi” das amigas debioloides cognitivas do movimento, isso é quase um elogio. Olha, desculpem as feminazi por chama-las assim, mas to xingando todo mundo aqui que usa essa comunicação ridícula. E eu acredito em direitos iguais. Autodenominar-se  “feminazi” é um acinte às vítimas do holocausto nazista, no mínimo. Mas, claro, essa parte deve ser resultado da minha própria demência cognitiva.

Mas eu sei que minha amiga capricorniana não é feminista. Ela atenta contra as feministas o tempo todo.  Ela é uma abestada cognitiva (uma aberração, Marilena?!) de nível superior. De pós-graduação. Ela acredita que Ciro não entende nada de Economia e que o projeto nacional desenvolvimentista dele é uma furada. E que ele mente descaradamente os números. Olha! Vou te falar, eu já quis muito rasgar meu diploma. Mas se ele fosse de Harvard como o de Ciro é, e, em vez de Jornalismo, fosse de Direito ou de Economia, eu ia pensar duas vezes!

Sinceramente, eu não sei o que pensar de vocês! Nem Marx, nem Smith, nem Ricardo, nem Rousseau explicam a cabeça de vocês. A única cabeça capaz de entender a de vocês, na minha estúpida opinião, é a do velho e bronco Freud. Vocês não são liberais ou socialistas. Vocês são neuróticos. Deus me livre.

Mas, voltando ao Ciro e ao facistoide (olha eles aí. Ou seria “liberaloide”?), é preciso dizer. Falar da Patricia Pilar denunciou seu caráter. Não adiantou posar de bacana liberal, de inteligente, aplicando golpes midiáticos de Youtube. Ele se revelou. Mas... ninguém o denunciou.  Mas uma vez esse colunista de ocasião vem em socorro da coerência solidária.

Ciro nunca foi acusado de bater em Patricia. Foi acusado de uma declaração machista da qual se desculpou e a qual ela mesma já esclareceu diversas vezes. Inclusive, ela deu recente entrevista a O Globo, em que desmente mais uma vez essa história e afirma votar em Ciro. E garante: “Ciro nunca foi machista”.

Portanto, uma malícia, uma perversidade típica da geração coca-cola deste século, orientada e direcionada para o combate político midiático que vai marcar estas eleições. Juntamente com o conluio das instituições nacionais. Todo mundo junto.

Esse factoide é o que os roteiristas chamam de “ponto de virada”. O plot point da campanha de Ciro e da campanha presidencial como um todo. O movimento tirou Lula de cena e agora mira no adversário mais forte. Isso deve servir de alerta para Ciro, que deve corrigir seus rumos e se preparar melhor para o debate da massa e não apenas falar para uns letrados intelectuais incapazes de formar opinião hoje no Brasil. E que, diminuídos pela sua inteligência, se ressentirão.  

Não vai ser fácil. Aguardem os próximos capítulos.

Nota 1: “abestado cognitivo” é uma redundância neologística usada (como outras neste texto) para dar ênfase na comunicação com idiotas digitais.

Nota 2: As pessoas não citadas neste texto podem existir ou não. Elas podem ter dito ou escrito o que eu disse que escreveram desta ou de outra forma. Ou não. No fundo, suas citações são meramente ilustrativas. Não há nada pessoal no tratamento dado a elas. Aos inteligentes, sábios e moralistas: estes são recursos narrativos e didáticos.













  









sexta-feira, 26 de janeiro de 2018